sexta-feira, 10 de junho de 2022

Onde está você?

 
Andei por ruas desertas e aglomeradas, tantas quantas se é possível contar. Entre coisas que vi, estão as que não podem ser desvistas. E ó, doem os olhos da alma algumas lembranças. Mas fazem parte do caminhar. 

Estava cá pensando porque caminho? O que me motiva a não parar? Quais coisas me fizeram  e quais me fizeram fugir de mim? Todas, creio.

Há em mim mil histórias mas talvez no fundo, não me ache no direito de conta-las. Eu tenho direito de dar destinos a personagens apenas porque os coloquei no papel e por consequência no mundo? Já me coloquei no papel e no mundo? Quando eu me for o que vão dizer sobre mim antes que minha lembrança se esvair? 

Não! Que reste de mim mais do que o pó ou personagens cuja a vida me apropriei.

Quero sim que saibam o que penso hoje e o que não pensarei mais amanhã, porém preciso também escrever a minha alma para então fluir outras almas de mim.

Que as lembranças não se apaguem quando eu me for e que eu vá em paz. Que meus filhos não se culpem por não me conhecer, não é obrigação deles conhecer quem não se mostra e também não é sua obrigação guardar detalhes de tudo que se mostra. Que tenham onde me buscar e me encontrar, eu estou aqui.

Os laços com quem amamos são invisíveis e irrompíveis, meu trabalho é para que não sejam vazios.

@janmartinsss

#reflexões #mãesolo #maesolo #cartasaosmeus #estouaqui 

Nenhum comentário:

Postar um comentário